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Na mídia

Escândalos não tiraram a credibilidade dos CEOs

Pesquisa | População brasileira ainda dá voto de confiança aos gestores

Stela Campos

De São Paulo

Nem todos os atos de corrução e as notícias revelando comportamentos antiéticos abalaram a credibilidade dos CEOs brasileiros, pelo menos na comparação com outros países onde a moral dos gestores está ainda mais baixa. Em um levantamento feito pela Edelman com 10 mil representantes em 28 países, sendo 1.000 do Brasil, os gestores brasileiros ficaram com 58% dos votos de confiança, o que coloca o país na sétima posição no ranking. Enquanto isso, em dois terços dos países, a população acredita que os altos executivos não estão fazendo o que é certo. (continua abaixo)Trust16-CEOs-Valor

 

Para Yacoff Sarkovas, CEO da Edelman Significa e da Zeno, o estudo mostra que os atos de corrupção denunciados pela Operação Lata-Jato, por exemplo, não respingam tanto na imagem dos executivos como aconteceu com o governo. A pesquisa, rodada em dezembro de 2015, aponta que o percentual de confiança no governo caiu de 32% em 2014 para 21%. As empresas se saíram melhor, com 64% dos votos. Segundo ele, a credibilidade nas organizações foi preservada porque o tipo de companhia envolvida nesses escândalos não representa simbolicamente um trampolim para a aquisição de bens que representam algum tipo de ascensão social como acontece com as empresas da área de consumo e tecnologia, por exemplo.

Mas a população brasileira não é tão crédula assim nos gestores. O “2016 Edelman Trust Barometer” mostra que 37% acham que os CEOs recebem salários altos demais, 46% não se identificam com eles e 68% reclamaram que eles focam demais o curto prazo. Mais de 60% dos pesquisados, inclusive, disseram que não conseguiriam citar o nome de um CEO do país. “No ranking dos porta-vozes com mais credibilidade, ele aparecem em quinto lugar, atrás de uma pessoa qualquer, do especialista técnico, do acadêmico e do analista financeiro, o que é desprezível”, diz Sarkovas.

Quanto questionados sobre o que consideram atributos importantes para quem ocupa cargos de liderança, os respondentes também apontaram alguns gaps dos executivos-chefes brasileiros. O primeiro é relativo à integridade, o que inclui comportamento ético, transparência e o ato de assumir responsabilidades, especialmente, em situações de crise.

Outro ponto que precisa ser melhorado diz respeito ao engajamento do dirigente, à maneira como ele trata funcionários e clientes. Por último, são apontadas falhas na exposição dos propósitos da companhia, como seu envolvimento na questão ambiental, o impacto na comunidade e as parcerias com ONGs, governo, entre outras.

Para 85% dos entrevistados no país, os executivos também deveriam aparecer mais discutindo questões sociais. “Já vivemos a era do CEO celebridade, depois tivemos o CEO invisível e agora as pessoas querem o CEO autêntico”, diz Sarkovas.

Ele acredita que o papel do gestor como produtor de conteúdo em mídias digitais, por exemplo, é mais esperado na medida em que essas plataformas cresceram. “Existe uma expectativa para que o dirigente entre em campo, saia da toca e se posicione sobre questões políticas e sociais”, afirma. Para ele, hoje é preciso que o dirigente construa uma agenda de interesse publico.

Tudo o que o CEO faz no mundo atual é observado com lupa. A democratização das informações por meio de novas tecnologias deram mais poder aos consumidores. Atualmente, eles acompanham de perto não só o desempenho dos produtos e serviços, mas também a vida de quem esta no comando das organizações, segundo Sarkovas. Mais de 60% dos entrevistados de países latino-americanos estão interessados na maneira como os CEOs gastam o seu dinheiro, quais são as suas atividades filantrópicas e quem é a sua família, cônjuge e filhos.

O estudo mostra ainda que alguns segmentos da economia parecem mais confiáveis do que os executivos que atuam neles. É o caso do setor de tecnologia, um dos que mais aparece nas respostas em todos os países, inclusive nas de 83% dos brasileiros. O fundador do Facebook, Mark Zurckerberg, é o mais citado por quem lembrou o nome de algum CEO.

O setor bancário no Brasil, por sua vez, desde a primeira edição da pesquisa há cinco anos, aumentou sua credibilidade de 49% para 56%, uma variação positiva de 7 pontos percentuais, “Houve uma importante mudança na estratégia de comunicação dos grandes bancos, que passaram a apresentar uma comunicação focada em seus propósitos e também uma agenda social mais estendida, que inclui o apoio ao esporte e à cultura”, explica.

Entre todos os continentes pesquisados, duas características lideram o ranking das qualidades mais desejadas para o CEO segundo a população. São elas a ética e a honestidade. No Brasil, 47% dos entrevistados querem que ele seja ético, 42% competente, 41% honesto, 32% transparente e 28% inovador.

Link para a matéria no Valor: http://www.valor.com.br/carreira/4545537/escandalos-nao-tiraram-credibilidade-dos-ceos



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