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Quebra de Confiança na Era Digital

Analisar o ataque do ransomware WannaCry, que aconteceu em maio de 2017 e atingiu a rede de computadores do serviço de saúde pública da Inglaterra, e suas consequências demonstra como a confiança nas empresas, na iniciativa privada e no setor público desmorona a cada cyber ataque.

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Do clássico “2001: Uma Odisséia no Espaço”, de Kubrick, de 1968, passando pela ficção científica de ação “Matrix”, de 1999, até a série “Mr Robot”, de hoje, a cultura pop sempre mostrou um futuro distópico. Nele, a evolução dos computadores e da cyber segurança levou a melhor sobre a humanidade.

Se levarmos em conta as 7 bilhões de identidades roubadas em menos de uma década e as 15 grandes falhas de segurança apenas em 2016 (que resultaram em 1,1 bilhão de identidades roubadas), é impossível não pensarmos: será que essa visão sombria de um mundo repleto de ameaças e desconfiança está se tornando realidade? Um grupo de especialistas se reuniu recentemente na conferência WIRED Security 2017 para desmistificar o futuro e discutir como esse cenário dinâmico de ameaças virtuais está moldando nossa sociedade.

Os palestrantes do evento foram unânimes ao apontar a desconfiança como a mais poderosa forma de ruptura na era digital. Essa afirmação está de acordo com os resultados do Edelman Trust Barometer 2017, que mostraram que em 20 países, de um total de 28, as pessoas não confiam em suas instituições (Governo, Empresas, Mídia e ONG). Ao falar de suas previsões e análises sobre um cyber espaço em transformação constante, pesquisadores, desenvolvedores de inteligência artificial, cientistas de governos e especialistas de inteligência reconhecem a ameaça que a incerteza e a insegurança representam para a confiança.

Analisar o ataque do ransomware WannaCry, que aconteceu em maio de 2017 e atingiu a rede de computadores do serviço de saúde pública da Inglaterra, e suas consequências é um exemplo perfeito para demonstrar como a confiança nas empresas, na iniciativa privada e no setor público desmorona a cada cyber ataque.

Ao analisar o ransomware e a maneira como o ataque se desenvolveu, os especialistas em segurança concluíram que embora o WannaCry não fosse necessariamente inovador, seu impacto foi algo inédito. A verdade é que o ramsomware foi configurado com o que a indústria chamou de “erros amadores”, que limitaram drasticamente os lucros das pessoas por trás do ataque. Porém, muitos dizem que isso não tem importância, porque o único objetivo do ataque era criar caos em nível global. Considerando todas as questões que surgiram durante a cobertura do assunto pelos meios de comunicação, o WannaCry foi um sucesso.

Durante seis meses, vimos organizações culparem umas às outras pelo número de consumidores afetados, especulando sobre o papel que certos países teriam nesse que pode ser o maior ataque de ransomware já visto com motivações políticas.

E o que aprendemos? A resposta nunca foi tão clara.

Nós ainda não vimos as consequências do descompasso de nossa sociedade com a digitalização provocada pelo avanço da tecnologia. E como os números crescentes de vazamentos nos deixaram de certa forma insensíveis ao medo do roubo de dados e senhas, temos uma tendência a nos sentir seguros frente ao número cada vez maior de ataques de grandes proporções. Porém, Beyza Unal, pesquisadora do Royal Institute of International Affairs, contestou essa segurança em um dos eventos da WIRED Security: “Aquele momento em que você se considera mais seguro é o momento em que você está mais vulnerável”.

Com isso em mente, as organizações precisam se preparar – e não apenas para a ameaça de um possível ataque. Em vez disso, a prioridade deve ser criar transparência e construir confiança entre seus stakeholders, para que, quando o inevitável acontecer, a organização possa lidar com o incidente de maneira adequada. A vulnerabilidade número 1 de qualquer organização é a confiança que seus stakeholders depositam nela – sua perda é irreversível e é a pior consequência que uma falha de segurança pode ter.

Saiba mais sobre as questões ligadas a falhas de segurança no Sideload, o podcast de tecnologia da Edelman Londres. http://bit.ly/2hjSSRH

A versão original deste texto foi publicada no blog da Edelman Londres: https://www.edelman.co.uk/magazine/posts/distrust-a-weapon-of-mass-disruption-in-the-digital-era/

* Christina Petrova é Senior Account Executive na Edelman Londres

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