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SXSW: A era da empresa digitalmente responsável

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Em 1984, o célebre comercial de lançamento do Macintosh da Apple, dirigido por Riddley Scott, trazia milhares depessoas assistindo impassíveis a um líder que falava em uma tela gigante.  E é curioso ver, 30 anos depois, uma situação semelhante, porém com um objetivo oposto. Milhares de pessoas se acomodaram para ver um palestrante em uma tela gigante, só que agora para falar sobre nossa liberdade e sobre o poder que temos ao nos expressar. Presos e exilados, Edward Snowden (ex-analista de inteligência norte-americano) e Julian Assange (fundador do site Wikileaks)  usaram a própria internet para provocar emoção ao vivo. Glenn Greenwald (jornalista americano que divulgou em primeira mão os documentos de Snowden) também falou ao vivo para completar este círculo que só a SXSW conseguiu reunir em uma única conferencia.

Segurança de nossos dados está em 10 de 10 listas sobre tendências na vida digital em 2014 e próximos anos. O tema é quente. Por um lado, todos falam sobre as maravilhas do big data e revoluções como os drones e as tecnologias vestíveis. De outro, todos estão preocupados em relação à invasão de suas vidas privadas e, principalmente, de governos. Eu mesmo assisti a algumas palestras para conhecer estas maravilhas da tecnologia, e sempre ao final surgia a discussão a respeito dos limites éticos.

E qual a solução? O que se viu aqui no SXSW 2014 foi que, somente a responsabilidade das marcas e a credibilidade das pessoas em seus procedimentos poderá trazer algum tipo de confiança. Ou seja, além de ecologicamente ou socialmente responsável, as marcas deverão ser também digitalmente responsáveis.

Este foi o tema da palestra que teve a maior audiência, a de Edward Snowden, com a participação brilhante de Christopher Soghoian. Várias vezes aplaudido, de forma até emocionante, Snowden desafiou os bloqueios que os EUA o estão impondo, falando abertamente e ao vivo para milhares de pessoas, e colocando um ponto de reflexão sobre a questão do uso indevido dos dados. Deixou evidente que o problema vai além dos governos e tange o uso inapropriado de nossos dados por muitas marcas. O ex-agente da CIA já provocou uma onda de renovações nos “disclaimers” de grandes players de internet (Google, Yahoo, Facebook), motivando-os a deixar mais claro de que forma tratam as informações. 

E como continuar este movimento? Como disse Assange “We’re undergoing a huge transfer of power between people surveilled upon and those performing the surveillance”. O que a internet e a revolução tecnológica permitem em termos de abertura e transparência é infindável. A força da reputação está cada vez mais na mão dos consumidores. E só uma marca digitalmente responsável será capaz de sustentar sua reputação e credibilidade neste cenário.  Vamos reveer nossos conceitos de sustentabilidade?

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*Daniel Rimoli é líder da área Digital na Edelman Significa e está participando do South by Southwest (SXSW) 2014

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