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Estudos e Pesquisas

Edelman Trust Barometer 2017 aponta crise generalizada nas instituições no Brasil

Estudo global revela que Governo é a instituição menos crível no País, que 62% dos entrevistados acreditam que o sistema como um todo entrou em colapso e que a corrupção é o maior temor

 

São Paulo, 9 de março de 2017 – O estudo global Edelman Trust Barometer 2017, promovido no Brasil pela agência de comunicação integrada Edelman Significa, revela a maior queda já registrada na confiança em todas as instituições: Empresas, Governo, ONGs e Mídia. Globalmente, os índices caíram nos quatro setores pesquisados. No Brasil, a confiança caiu em três instituições: nas Empresas, foi de 64% para 61%; nas ONGs, de 62% para 60%, e na Mídia, de 54% para 48%. No Governo, a confiança, ainda que tenha aumentado 3 pontos, amarga 24% – de longe a menos crível entre as demais. A pontuação coloca a sociedade brasileira na antepenúltima posição de confiança no poder público, à frente somente da África do Sul e da Polônia.

De forma geral, a confiança nas quatro instituições diminuiu em 21 dos 28 países pesquisados, registrando queda de 3 pontos no Índice Global de Confiança, hoje de 47. Trata-se da maior queda desde o início do levantamento junto ao Público Geral, em 2012. Com isso, 2 em cada 3 países, entre eles o Brasil (48), encontram-se no patamar dos Desconfiados.

Mais importante investimento em propriedade intelectual da Edelman, o estudo chega a sua 17ª edição. É apresentado anualmente no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, e baseia-se em 33 mil entrevistas. Este ano, aponta os reflexos da Confiança na política e nos negócios, aborda questões como a onda populista e discute como as lideranças empresariais podem operar e encontrar oportunidades nesse cenário.

“Apesar do envolvimento de grandes empresários nos escândalos de corrupção, o bom nível de confiança nas empresas permanece, pois simbolizam a contraposição à baixa avaliação dos governos e a possibilidade de ascensão pelo emprego e consumo”, afirma Yacoff Sarkovas, CEO da Edelman Significa. “É um momento especial para as Empresas, que poderão liderar uma agenda de transformação no Brasil”, conclui.

O Edelman Trust Barometer 2017 mostra também que 53% dos entrevistados acreditam que o sistema atual, como um todo, entrou em colapso – é injusto e dá pouca esperança para o futuro –, enquanto apenas 15% avaliam que está funcionando e cerca de um terço não têm certeza. No Brasil, o índice é ainda mais significativo, com 62% das pessoas que afirmam que o sistema falhou, contra 13% que acreditam que ele funciona e 1 em cada 4 que estão incertos.

Esse cenário agrava os temores da população mundial, incluindo corrupção (40%), imigração (28%), globalização (27%), desgaste de valores sociais (25%) e inovação tecnológica (22%). Movimentos populistas são alimentados por essa falta de confiança no sistema. Países que combinam esses fatores, tais como EUA, Reino Unido e Itália, vivenciaram recentemente, respectivamente, a eleição de Donald Trump, a aprovação do Brexit e o fracasso do referendo constitucional. Em um ano no qual a Lava-Jato e outras operações investigaram e indiciaram uma série de políticos e empresários, 70% dos brasileiros pesquisados estão temerosos com a corrupção. Este último índice está muito acima dos demais temores analisados, como o desgaste de valores sociais (27%), inovação tecnológica (25%), globalização (22%) e imigração (19%). Como reflexo disso, “pagar propina para funcionários do governo para obter contratos” é apontada no estudo como a atitude que mais afeta a confiança futura nas empresas no Brasil, seguida de “cobrar em excesso por produtos essenciais para a vida das pessoas”, “reduzir custos cortando empregos”, “reduzir custos piorando a qualidade dos produtos” e “cortar benefícios dos funcionários”.

O ciclo de desconfiança é amplificado pelo surgimento de uma “caixa de ressonância”, que reforça crenças pessoais e exclui opiniões opostas. Os entrevistados preferem mecanismos de busca (59%) a editores humanos (41%), e estão quase quatro vezes mais propensos a ignorar informações que corroborem uma posição na qual não acreditam. No Brasil, 57% preferem as ferramentas de busca, enquanto 43%, os editores humanos, e estão seis vezes e meia mais propensos a ignorar fatos os quais não concordam.

Se comparado ao índice global (52) e com as outras instituições no Brasil, a confiança nas Empresas, apesar da queda, ainda é alta no País (61%). Além disso, as Empresas são vistas como as únicas que podem fazer a diferença. Globalmente, três em cada quatro entrevistados concordam que uma empresa pode tomar medidas tanto para aumentar os lucros quanto para melhorar as condições econômicas e sociais da comunidade onde atua. No Brasil, o número é ainda mais alto: 86%.

Ainda assim, as empresas não estão muito acima do patamar de desconfiança – talvez pelo fato de elas terem relação com as maiores preocupações das pessoas hoje. A maioria da população global pesquisada se preocupa em perder o emprego devido aos impactos da globalização (60%), à falta de treinamento ou competências (60%), aos imigrantes que trabalham por menos (58%), à fuga de empregos para mercados mais baratos (55%) e à automação (54%). Por aqui, o principal medo está relacionado à falta de treinamento e competência, onde a taxa é de 78%, seguido por concorrentes estrangeiros e automação, ambos com 63%.

Outro dado coloca a confiança das Empresas em aviso prévio – a credibilidade dos líderes empresariais caiu em todos os 28 países pesquisados. Em termos globais, uma pessoa comum (60%) é uma fonte de informação sobre empresas tão confiável quanto um especialista técnico (60%) ou acadêmico (60%), e muito mais confiável do que um CEO (37%). No Brasil, a pessoa comum lidera o ranking de credibilidade (78%), seguidas por especialistas técnicos (67%) e acadêmicos (65%). Os CEOs perderam 18 pontos, atingindo a marca dos 48%, praticamente empatados com funcionários (47%). Quando o sistema falha, empresas devem fazer mais. Para aqueles que acham que o sistema falhou, 80% acreditam que as empresas devem tratar bem os funcionários e 81% oferecer produtos e serviços de boa qualidade.

A confiança é crítica na Mídia enquanto instituição, que despencou para o nível mais baixo de todos os tempos em 17 dos países pesquisados. A média global de confiança na instituição é de 43% (caiu 5 pontos), enquanto no Brasil é de 48% (caiu 6 pontos). Quando analisados os tipos de Mídia que as pessoas usam para se informar sobre um assunto, as ferramentas de busca foram indicadas como as mais críveis – globalmente, 64%, no Brasil, 83%. “O indivíduo assume uma postura mais ativa ao formar opinião, já que busca ser o curador de seus próprios conteúdos por meio das fontes de sua preferência. Esta diversificação midiática é a porta de entrada para conteúdos de diferentes canais, demonstrando que, mais do que nunca, todos os meios são igualmente estratégicos”, comenta Rodolfo Araújo, líder das áreas de Marca, Inteligência e Insights da Edelman Significa. No Brasil, depois das ferramentas de busca, aparecem a Mídia Tradicional e a Mídia Unicamente Online com 65 pontos, seguidas das Mídias Próprias (60) e Mídias Sociais (55).

Outros achados do Edelman Trust Barometer 2017 incluem:

  • Credibilidade em Empresas cai em 18 países. Entre os que mais confiam, Brasil aparece na 7ª posição.
  • No Brasil, o setor de Tecnologia é o líder de confiança entre os segmentos pesquisados. Com 82%, está à frente dos setores de Alimentos e Bebidas (73%), Automotivos (72%) e Bens de Consumo (65%).
  • As marcas brasileiras ainda enfrentam o desafio de serem aceitas no exterior. A Marca Brasil caiu dois pontos e registra 32% no índice de confiança, à frente apenas do México (30%) e empatada com a Índia (32%)
  • 75% dos países estão dentro do nível de desconfiança em relação ao seus Governos, com médias abaixo de 50 pontos.
  • Em 11 países, inclusive no Brasil, ONGs têm menos credibilidade do que Empresas. O índice global de confiança nessa instituição é 53%. No Brasil, é 60%.
  • Entre 2012 e 2017, Confiança na Mídia tradicional foi a que mais caiu – 5 pontos, tanto no Brasil, quanto globalmente.
  • Fontes oficiais são suspeitas. No mundo, 64% acreditam mais em informações vazadas do que em comunicados para a imprensa das companhias (36%).
  • O declínio da credibilidade dos porta-vozes foi generalizado, em especial junto aos CEOs, que perderam pontos em todos os 28 países pesquisados. Globalmente, 37% dos entrevistados consideram os CEOs um porta-voz muito/extremamente confiável, enquanto 29% atribuem essa nota às autoridades governamentais. No Brasil, os CEOs ficaram com 48 pontos e as autoridades governamentais, 22.
  • Um em cada dois países crê que o sistema entrou em colapso.
  • É grande o apoio a políticas protecionistas. Globalmente, 69% dos entrevistados acreditam que “Precisamos priorizar os interesses de nosso país em detrimento aos do restante do mundo.” 72% concordam que O governo deve proteger nossos empregos e a indústria local, mesmo se nossa economia crescer mais devagar.”. No Brasil os números são, respectivamente, 67% e 71%.

 

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Mais informações:
Claudia Jordão
11 3066.7782
claudia.jordao@edelmansignifica.com

Sobre o Edelman Trust Barometer 

O Edelman Trust Barometer 2017 é a 17ª edição da pesquisa anual de confiança e credibilidade. O estudo foi realizado pela agência de pesquisa Edelman Intelligence e é o resultado de entrevistas online de 25 minutos feitas entre 13 de outubro e 16 de novembro de 2016. O levantamento online do Trust Barometer 2017 foi realizado com 33 mil pessoas em 28 países. Todo o público informado atendeu aos seguintes critérios: faixa etária 25-64 anos; nível superior, renda familiar no quartil mais alto em sua faixa etária de cada país; lê ou assiste a mídias de notícias/negócios pelo menos algumas vezes por semana e acompanha questões de políticas públicas no noticiário várias vezes por semana.

Sobre a Edelman Significa

A Edelman Significa é uma agência de comunicação integrada que aplica os preceitos das Relações Públicas para construir, promover e proteger marcas. Tem uma visão contemporânea do mundo, das relações e da comunicação, e mescla estratégia e criatividade para definir e disseminar narrativas em múltiplas plataformas. Possui 180 profissionais de diversas especialidades em São Paulo e Rio de Janeiro e tem representação em Brasília. A agência integra conceitos e técnicas de Relações Públicas com Pesquisa, Branding, Digital, Criação e Ativação. É parte da Edelman, líder global de Relações Públicas, com mais de 5 mil colaboradores em 65 escritórios em todos os continentes. A empresa foi premiada com o Grand Prix para PR do Cannes Lion em 2014, com seis Leões de Cannes em 2015 e com o Grand Prix na categoria Titanium em 2016. Foi nomeada “Global Agency of the Year” pelo Holmes Report, em 2016, e esteve entre uma das “Agencies to Watch” da Advertising Age, em 2014. Em 2015, figurou entre os “Best Place to Work” do Glassdoor pela quarta vez. No Brasil, foi eleita entre as 3 agências mais admiradas do país no TOP Mega Brasil de Comunicação Corporativa em 2015 e 2016. Acumula também sete prêmios POP, cinco prêmios Aberje e duas indicações ao Prêmio Caboré. Foi também vencedora, em 2015, dos prêmios Latin American Excellence Awards e do Sabre Awards Latin America. Possui as empresas especializadas Edelman Intelligence (pesquisa) e United Entertainment Group (entretenimento, esportes e experiências), uma joint venture com a United Talent Agency. Para mais informações, acesse www.edelmansignifica.com

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